TOXICIDADE ENDOCRINA
No que diz respeito aos efeitos na saúde humana, o Comitê Científico da Toxicidade, Ecotoxicidade e Ambiente concluiu que há uma relação entre alguns desreguladores endócrinos (neste caso os ftalatos) e algumas patologias, como o cancro do testículo, da mama e da próstata, declínio dos valores de espermatozoides, deformações nos órgãos reprodutivos e disfunção da tiroide. [18]
São cada vez mais descritos os efeitos causados pelos desreguladores endócrinos, incluindo anomalias no sistema reprodutivo de animais, indução da síntese de vitelogenina no plasma de peixes e efeitos na saúde de humanos, tais como, redução na produção de esperma e um acréscimo na incidência de neoplasias.
No entanto é necessário questionar se há evidências significativas de que essas substâncias possam causar efeitos nocivos em humanos e noutros animais e se a quantidade de desreguladores endócrinos no meio ambiente é suficiente para que estes efeitos se exerçam.

Figura 3 - Esquema ilustrativo dos locais de ação dos ftalatos na produção de esteroides pelas células de Leydig [19]
Sabe-se que este tipo de desreguladores endócrinos têm a capacidade de modular a concentração de hormonas, contudo, resta saber se essas substâncias podem realmente afetar as funções do sistema reprodutor feminino. Uma vez que o normal funcionamento deste depende do balanço e das concentrações de hormonas como: estrogênios, andrógenos e da tiroide, assim, uma disfunção neste sistema pode dar lugar a algumas anomalias, tais como, irregularidades no ciclo menstrual, e alterações que possam vir a desencadear um decréscimo na fertilidade. [14, 19]
Sabe-se que os ftalatos inibem a produção de esteroides das células de leydig em diferentes fases do desenvolvimento fetal, pois sabe-se que uma exposição prematura ao DEHP diminui os níveis séricos da LH e da testosterona. Contudo, a exposição a DEHP duas semanas após o parto diminui significativamente os níveis de estradiol e de testosterona. Não obstante, a exposição deste tipo de metabolitos nos adultos não influencia os níveis séricos destas hormonas. O que nos leva a concluir que os efeitos da exposição dependem da fase de desenvolvimento em que ocorre a exposição. [20]
Foi recentemente demonstrado que a exposição crónica a níveis baixos de DEHP incrementavam os níveis plasmáticos de LH, testosterona, e 17β-estradiol. Este aumento coincide com elevada atividade proliferativa das células de leydig induzida pelos níveis de LH elevados. Foi igualmente demonstrado que o MEHP inibe a produção da hormona coriónica humana (hcG).
Todas estas alterações nas concentrações hormonais podem gerar modificações irreversíveis na função reprodutiva e propiciar o desenvolvimento de alguns tipos de neoplasias. [21]