CARCINOGENICIDADE E HEPATOTOXICIDADE
Já desde os anos 80 que tem havido preocupações com os ftalatos ao nível oncológico. À data, alguns ensaios com roedores mostraram um potencial carcinogénico destas substâncias. [22]
O DEHP está relacionado com o cancro hepático e da mama, e o DINP está relacionado com carcinomas renais e hepáticos. A carcinogenicidade atribuída ao DEHP está atribuído à proliferação peroxissomal e à ativação e amplificação de diferentes cascatas celulares. Relativamente ao DINP, o desenvolvimento de neoplasias não foi, ainda, muito explorado, mas é putativamente mediado por um mecanismo que não tem significado humano, sendo apenas do âmbito veterinário. [22,23]
No caso do fígado, a exposição por via oral ao DEHP em ratos conduziu a hepatomegalia. Isto deve-se a um "Burst" metabolico que conduz a um aumento das mitoses aumentando o volume total do fígado. Quando a exposição por via oral se prolongava, o quadro evoluia para carcinoma e adenocarcinoma hepatocelular. A quando da cessação da exposição ao DEHP, todo o quadro clínico regride, tornando o tratamento favorável com remissão. [24]
Quando o ensaio era testado com primatas não humanos, os efeitos observados em ratos não eram tão marcados.
No que confere a humanos, há estudos que mostram uma prevalencia total de DEHP elevada em indivídus dialisados, relativamente a individuos saudáveis, o que pode ser devido ao contacto com as tubagens dos sistemas de dialise. [25]
Após analise de culturas de hepatocitos expostas a MEHP (metabolito do DEHP - Ver Mecanismos de Toxicidade abaixo), foi possivel evidenciar a baixa resposta destas células ao xenobiótico, quando não há evidencia de lesão de DNA, mecanismos de peroxidação e apoptose. [24]
A assimetria entre as evidencias encontradas em primatas vs roedores levaram a que a IARC (International Agency for Research on Cancer) tivesse reavaliado o DEHP e alterada a sua classificação de "possível carcinogénico para o Homem" para "não classificado como carcinogénico para o Homem". [25]
No caso das mulheres, parece haver uma relação entre ftalatos e cancro de mama, já que o contacto com um derivado, o monoetil ftalato, está relacionado com um aumento do risco de desenvolver uma neoplasia. De facto, um estudo revelou que a concentração de metabolitos de ftalatos está aumentada quase 60% em mulheres com cancro de mama. No caso de mulheres na menopausa, esta concentração aumentava ainda mais. Este estudo baseou-se na analise de urina das mulheres. Contudo, a presença de monobenzil ftalato (MBzP) e monocarboxipropil ftalato (MCPP) na urina das mulheres parece estar relacionado com uma diminuição do risco de desenvolver cancro de mama. Assim, mais estudos deverão vir a ser desenvolvidos para clarificar a ação destes xenobióticos e o cancro de mama. [9]


