TOXICIDADE REPRODUTIVA
É de conhecimento geral que o sistema reprodutor se relaciona intimamente com o sistema endócrino. Assim, e partindo do pressuposto que os ftalatos são capazes de influenciar o último sistema mencionado torna-se, então, fácil de compreender que estes compostos, quando presentes no nosso organismo irão também causar sequelas a nível do sistema reprodutor.


TOXICIDADE REPRODUTIVA NO HOMEM
Relativamente às consequências no sexo masculino, de uma forma generalizada, sabe-se que os ftalatos podem causar infertilidade, diminuição da produção de esperma, criptorquidismo, mal formações a nível do trato reprodutivo, assim como tumores testiculares e redução dos níveis de testosterona. Note-se que estas conclusões foram obtidas a partir de estudos realizados quer em humanos, quer em animais. Para além disto, também foi verificada a ocorrência de uma diminuição da distancia anogenital em bebes cujas mães possuíam, na urina, elevadas concentrações de metabolitos resultantes da degradação de ftalatos. [8]
Esta manifestação clinica resultava da exposição do individuo durante o período pré-natal. Uma outra associação que hoje em dia é conhecida é que a exposição, in útero, de altas doses (aproximadamente 500 mg/Kg corporal) de DEHP, BBP, DBP- mas não de DEP, DMP, DOT - é responsável por causar alterações a nível da diferenciação sexual e da função testicular. [8]
Atualmente, já é possível apontar um grupo de compostos dos responsáveis pela toxicidade testicular – os ftalatos de baixo peso molecular, onde se inclui o DEHP. Este fenómeno tem por base a degeneração testicular e a apoptose aumentada de células testiculares que acabam por culminar na morte de células germinativas. A título elucidativo, estudos demonstram que é da responsabilidade do DEHP a morte precoce dos espermatozoides (até 6 horas depois da exposição), bem como, a ocorrência de desorganizações celulares, onde se inclui o aparecimento de vacúolos. [9,10] Sabe-se ainda que são as crianças as mais suscetíveis à ação dos ftalatos – [8]
TOXICIDADE REPRODUTIVA NA MULHER
Por outro lado, no que diz respeito às mulheres, sabe-se que a exposição o crónica a altos níveis de ftalatos causa, por um lado, diminuição das taxas de gravidez e, por outro, aumento do número de abortos. Nas mulheres que vivem perto de fabricas onde há o manuseio exaustivo e recorrente de plásticos, é possível estabelecer uma correlação entre os elevados níveis de ftalatos na urina as complicações durante a gravidez, onde se incluiem anemia, toxemia e pré-eclampsia. [8]
In vivo, o DEHP (2g/Kg) é responsável pela diminuição dos níveis de estradiol, no soro, pela não ovulação no adulto e, ainda, pelo aumento da duração do cio, nos animais. In vitro, conclui-se que o DEHP (o metabolito ativo do DEHP) leva à supressão da produção de estradiol no ovário, tendo como consequência a não ovulação. [8]
Note-se que a mulher grávida tem de ter algum cuidado no que diz respeito ao contacto com os ftalatos, dado que alguns destes compostos, como o DEHP e o DBP, são tóxicos para o feto, podendo causar problemas no seu desenvolvimento. [11]